É uma rotina. As Olimpíadas se aproximam e o futebol feminino volta a ganhar destaque entre os torcedores brasileiros. A “onda” se justifica. A modalidade sempre é vista como esperança de medalha – até o momento são duas de prata, em Atenas 2004 e Pequim 2008. Vadão acredita que o momento é de levar o ouro e justifica: para modificar a vida do esporte no país.

– Você subir no pódio em uma Olimpíada é um mérito muito grande embora no Brasil não se reconheça dessa forma. A gente vai sempre com a intenção do ouro. Até porque a prata o Brasil já ganhou. As pessoas ainda dizem que a medalha de ouro pode modificar a vida do futebol feminino. Eu não sei se é isso. Mas se é isso vamos buscar trazer essa medalha de ouro para que consigamos dar um ponto final nisso tudo – afirmou Vadão em entrevista ao GloboEsporte.com.

A largada em busca do ouro foi dada. O time permanente já está novamente reunido na Granja Comary. O primeiro compromisso oficial da preparação será a Copa Algarve, que ocorre de 2 a 9 de março, em Portugal. Na disputa, a Seleção terá  Nova Zelândia, Portugal e Rússia como adversários. Além dos testes contra equipes fortes, o treinador ressalta outro importante fator na busca pela primeira colocação na disputa de agosto, no Rio de Janeiro: a boa vontade das suas comandadas. Mesmo sem a obrigatoriedade, algumas atletas escolheram treinar em Teresópolis antes da apresentação em seus clubes. Marta foi uma delas, assim como Andressa Alves, Cristiane e Érika, que tiveram uma folga na França e passaram uma semana no Brasil trabalhando.

– Está havendo uma boa vontade de todas as atletas. A Marta esteve aqui, passou um dia e nesse dia que elas esteve aqui ela treinou. Depois ela precisou ir embora. As meninas que estavam na França – Andressa Alves, Cristiane e Érika – pediram. Na verdade, não houve uma  convocação das meninas que estavam fora porque não tínhamos nenhum jogo amistoso e estávamos só treinando. Então entendemos que não tinha necessidade de els viajarem uma longa distância. Mas as três pediram e a gente atendeu vendo por esse lado mesmo de todo mundo querendo estar aqui. Mônica, Poliana, Debinha e talvez a Fabiana, Gabi…vão se transferir ainda para fora, mas estão aqui conosco. A Tamires ficou até o dia que antecedia a viagem que ela tinha para a Dinamarca. Então isso é um ponto muito positivo que estamos percebendo o prazer das meninas estarem conosco aqui no trabalho podendo vivenciar mesmo que em curtos períodos – declarou.

O Brasil bateu na trave em duas oportunidades na busca pelo ouro. A próxima tentativa será diante dos fãs brasileiros. Pressão maior ainda? Vadão diz que o time precisa encarar isso como um fator positivo, esquecer o passado e focar na conquista para o “coroamento com uma medalha”.

– A gente só pode levar para o lado bom. O ruim a gente tem que trabalhar. O que seria o ruim? Ah, teremos muita pressão em cima? Vamos começar a lembrar do passado? Passado já foi. Não tem como mudar o passado. Tem como ganhar o presente e o futuro. O que temos que fazer é trabalhar bem. Acho que vai ser benéfico. O Mundial, o Pan e a Olimpíada foram momentos que se falou muito da seleção feminina, esse período de um ano. Se discutiu muito, coisa que depois fica dois, três anos sem ninguém tocar no assunto. Nós aproveitamos bem o Mundial, o Pan e a Olimpíada para poder divulgar e coincidiu em um momento que a Seleção está jogando muito bem, está fazendo bons jogos, levantando a torcida. Todos os torcedores brasileiros que assistiram aos jogos em Cuiabá, que foram para Natal, todos eles se encantaram com o futebol, com a dedicação. Acho que nós aproveitamos bem esse ano para poder falar bastante do futebol feminino. Falta mesmo o coroamento com uma medalha.

Recentemente em entrevista ao GloboEsporte.com, a atual melhor jogadora do mundo, Carli Lloyd, colocou os Estados Unidos, atuais campeões mundiais, como um dos favoritos ao título no Brasil. Para Vadão, não há como prever um ou dois postulantes ao primeiro lugar nem mesmo pela Seleção atuar em casa. O campeão será definido nos detalhes.

– Quando você vai assistir a um campeonato europeu ou brasileiro como o nosso aqui, não dá para prever quem vai ser o campeão. Se vai ser Corinthians, Flamengo. São várias equipes. Na Olimpíada, embora estejamos jogando em casa e é colocado um favoritismo para a gente, mas Olimpíada é como Mundial, é como futebol masculino mundial. Não da para prever. Como vai prever se é Estados Unidos, França, Alemanha, Japão. Então é muito difícil de prever. Esse favoritismo que é colocado por nós atuarmos em casa encaramos que poderá ser muito bom ter a torcida com a gente. Isso vai ser um ponto a mais. Mas ele não é determinante para que uma seleção vença somente porque está jogando em casa. Eu acredito que o que vai fazer diferença é a preparação e os detalhes. Os pequenos detalhes são muito importantes no futebol feminino.

Fonte: globoesporte.com