De volta ao Rio de Janeiro, de volta os gols? Assim espera a seleção feminina de futebol, que nesta terça-feira, às 13h, disputa a semifinal no Maracanã diante da Suécia. Depois de jogar duas vezes longe da sede dos Jogos, em Manaus e Belo Horizonte, Marta e companhia retornam para o cenário do brilhante início de campanha e podem contar com a recuperação de Cristiane, desfalque nas últimas duas partidas, para ir à decisão.

A distância dos ares olímpicos não fez muito bem ao time comandado pelo técnico Vadão. No Rio, onde fez suas duas primeiras partidas, o Brasil goleou a China por 3 a 0 e a Suécia, adversária na semifinal, por 5 a 1. Contra África do Sul e Austrália, longe da capital carioca, empatou em zero e contou, nas quartas de final diante das australianas, com o heroísmo da goleira Bárbara para ir adiante nas cobranças de pênaltis.

O treino de segunda-feira deu indícios de que a principal atacante brasileira pode aparecer no jogo. A lesão no músculo posterior da coxa direita que a tirou das últimas partidas parece não incomodar mais.

Cristiane trabalhou normalmente com o restante do grupo e treinou finalizações, chutando inclusive com a perna direita, local do problema. Já a lateral Fabiana, que machucou o tornozelo contra a Austrália, correu em separado do grupo. Parecia mancar enquanto dava voltas ao redor do gramado.

Mesmo que o trabalho tenha dado esperanças do retorno de Cristiane, Vadão preferiu não confirmar sua volta:

— No momento, jamais poderíamos afirmar que Cristiane está 100%. O departamento médico tomou todas as providências. Ela treinou, não com ritmo de jogo, mas treinou. Estamos em uma encruzilhada e vamos dar mais um tempo para que a gente defina isso.

Com ou sem Cristiane, a ordem na seleção é evitar um possível relaxamento devido ao confronto anterior entre as equipes, em que o Brasil passou por cima das suecas. Sabe-se que as europeias terão uma estratégia diferente do jogo válido pela primeira fase.

— Elas viram que pode ser complicado se nos derem espaço, então acho que devem vir fechadas. Temos de ter paciência para encontrar as brechas — previu Marta.

Já no surpreendente jogo de quartas de final em que eliminou os Estados Unidos, a Suécia armou uma retranca para surpreender. Questionada se o time repetiria o plano, a técnica Pia Sundhage não teve qualquer constrangimento.

— Sim — respondeu, sem muitos rodeios.

Encerrado o treino da manhã desta segunda-feira, Marta pegou a bola, caminhou até a marca do pênalti e chamou a goleira Aline. Queria, segundo contou após o trabalho, “apagar o que aconteceu contra a Austrália”. Referia-se à cobrança perdida na decisão, que ameaçou a classificação brasileira.

Marta errou os dois primeiros pênaltis que cobrou no treino — um alto demais, o outro defendido por Aline. Depois, a própria goleira a incentivou:

— Decide onde vai bater e não muda.

A camisa 10 então fez mais duas cobranças e acertou. Parece ter deixado para trás o drama que viveu nas quartas de final.

Fonte: ZH Esportes