Se um jogo de futebol tem 90 minutos, Gabriel Pereira não completou o seu primeiro pelo Corinthians em 2020. Destaque da Copinha em janeiro, o meia chegou ao profissional em julho e disputou quatro partidas no Brasileirão, com 85 minutos somados.

Em 2021, projeta o clube, “GP” viverá o seu ano.

Aos 19 anos, o canhotinho é a nova aposta jovem do Timão. Com a lesão de Gustavo Mantuan, ocorrida no fim de outubro, GP recebeu da torcida a atenção e euforia por seus primeiros passos.

– Esse ano foi de aprendizado. Joguei a Copinha, mostrei meu futebol e pude chegar ao profissional. Foi um ano muito conturbado por conta da pandemia, muito triste para muitas pessoas, mas que vai ficar marcado na minha vida – disse ele, que garante ser corintiano desde criança.

– Realizei o meu sonho e das pessoas que estão ao meu lado, sempre torcendo por mim. Vou levar como aprendizado, não tive sequência, tive muitas lesões, mas pude aprender muito com a rapaziada – destacou o garoto, ao ge.

Quem é GP?

Paulistano nascido em 1º de agosto de 2001, GP chegou ao Corinthians pelas mãos de um homônimo.

Gabriel Pereira, então analista de mercado da base do Timão, tinha o nome do garoto anotado em seu banco de dados por conta de uma peneira que ele havia observado em dezembro de 2017.

– Eu trabalhava por outro clube, fui fazer uma avaliação em Cotia e vi GP jogando como lateral-esquerdo na escolinha que ele treinava. Um jogador de muita técnica, mobilidade, com domínio e passe excelentes, drible. Apesar de não ser forte, tomava decisões muito boas. Tinha muita qualidade para tirar a bola da zona de pressão. Naquele dia me chamou a atenção, pois fez domínios de chapa, de chaleira, deu lançamentos. Era o melhor jogador do time – lembrou o Gabriel Pereira adulto.

– Na época fiz a abordagem no final do coletivo, mas ele tinha contrato com a base do Guarani e não topou. Deixei o nome dele anotado. Assim que cheguei no Corinthians em fevereiro 2018, foi o primeiro nome que indiquei duas ou três semanas depois. Quando o procurei pelo Corinthians, o papo mudou.

Aos 17 anos, GP ainda tinha alguns meses de contrato de formação com o Guarani. Para que o Bugre o liberasse, o Corinthians ofereceu 30% dos direitos econômicos. O Timão ficou com 70%.

Só que a chegada de GP no meio de 2018 não contou com uma adaptação imediata. Por alguns meses, os dirigentes e treinadores que aprovaram o jogador se questionavam se ele iria dar certo.

– Ele sofreu muito no primeiro ano, chegou no meio da temporada. Mas na fase final do Brasileirão Sub-17 começou a chamar a atenção – lembrou Fernando Yamada, gerente da base.

– Ele tinha tido algumas dificuldades de treino no Guarani, de alimentação, tem um biotipo que precisava de cuidado, com trabalhos de força e suplementação. Juninho Brilhante (preparador físico) começou a dar treinos particulares para ele e ele foi crescendo, dali a pouco se enturmou e virou titular – lembrou Gabriel, o descobridor.

Mudança de posição

Mudar de posição dentro do campo parecia uma questão de tempo para GP.

– Eu jogava de lateral-esquerdo no Guarani, mas não gostava. Falaram que eu viria para ser meia no Corinthians. No meu primeiro jogo, contra o Juventus, entrei como volante. No jogo seguinte, joguei como ponta – contou em vídeo da “Corinthians TV”.

Seu primeiro técnico no Timão foi Marcos Soares. Em papo com o ge, ele lembrou como foi a adaptação do garoto à nova função.

– Passamos a usá-lo como meia ou volante pelo lado esquerdo. A gente jogava num 4-3-3, eu tinha o Mantuan e ele completava o meio. Ele demorou uns dois meses para se adaptar, chegamos até a duvidar dele, mas deu certo. O que chamava a atenção era a capacidade de condução da bola na parte ofensiva, ele dificilmente perdia a bola, ia passando pelos adversários, acelerando o jogo.

– Logo ele evoluiu passe, domínio, o desmarque para receber em melhor condição e a finalização. Testamos o GP em outras posições, mas ele rendeu melhor como meia ou aberto na direita. Uma coisa interessante é que ele não estava maturado na base. Ou seja, o que fazia a diferença não era o físico, era parte técnica e capacidade mental. É um jogador que não sente o jogo grande, é muito vibrante.

GP subiu ao sub-20 em 2019 e, com Eduardo Barroca e depois Dyego Coelho, foi ganhando espaço. O ponto alto no time júnior veio na Copa São Paulo de 2020, quando vestiu a camisa 7 e atuou aberto pelo lado direito, marcando um gol contra o Cuiabá e ajudando o time com assistências.

A vida no profissional

Promovido por Tiago Nunes, Gabriel teve sua primeira chance em 12 de agosto, quando fez sua estreia nos 26 minutos finais da derrota por 3 a 2 para o Atlético-MG, na segunda rodada do Brasileirão. Depois disso, ficou por um turno sem jogar futebol.

Com desequilíbrio muscular e uma condição física pouco compatível com o nível profissional, o garoto sofreu lesões musculares, foi retirado dos jogos e passou a fazer trabalhos físicos específicos.

Franzino e com maturação tardia, Gabriel foi trabalhado para aprimorar sua condição para os padrões exigidos no futebol de alto rendimento. A ideia da comissão foi dar ao jogador mais força e resistência para que ele pudesse aguentar o ritmo de um jogo profissional, sem risco de lesões.

Com Vagner Mancini, somou minutos contra Coritiba, Fortaleza e Goiás. Para o preparador Flávio de Oliveira, o Timão tem nas mãos uma joia a lapidar.

– É um garoto de muita qualidade técnica, de vitória individual e belo chute de esquerda. Vem tendo atenção especial nossa no trabalho de força e preventivos. Teve algumas lesões, mas agora está bem mais forte. Vai ter um futuro brilhante – projetou o preparador.

Fonte: Marcelo Braga – GE
Foto: Rodrigo Coca